Ao voltar ao segundo semestre percebo a grande importância que a interdisciplina de Tecnologia da Informação e Comunicação teve em minha formação. Voltar a ela possibilitou-me compreender muito do caminho que percorri com o uso das tecnologias em minha vida pessoal e profissional. Foi a partir dos muitos desafios em usar as tecnologias na educação, que atualmente avaliando meu trabalho em minha escola é que compreendo o analfabetismo digital ao qual me encontrava, e o quanto construí novas aprendizagens, o que me dá segurança hoje em dizer que o PEAD foi o marco inicial de minha inclusão digital.
Sabemos que:
“Hoje a tecnologia permite que se tome contato com a realidade indiretamente. A relação do educando com a realidade não se limita mais à sua experiência pessoal e ao que a escola e a família lhe proporcionam, administrando a informação e os modelos de interpretação da realidade. As fontes de informação estão muito mais diversificadas e a escola tem o dever de estimular novas formas de experimentação e criação dos educandos; para que essa função seja cumprida, os professores devem estar capacitados para tal, principalmente quando esse ensino for feito a distância via rede de computadores, porque suas características são diferentes das que estamos habituados no ensino presencial”.[1]
Assim vejo que esta formação tão necessária exige do educador uma nova postura frente a sua profissão, a de buscar atualizar-se, capacitando-se para interagir com uma nova geração de educandos, os nativos da era digital!
[1]http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=11&texto=1533

Quando iniciei minha escrita do TCC, vinha refletindo como realmente se deu o início da inclusão tecnológica no Brasil, e mais precisamente na educação, então ao voltar ao Eixo I na interdisciplina Educação e Tecnologia da Comunicação e Informação, no texto sobre: Informática Educativa no Brasil: Uma História Vivida, Algumas Lições Aprendidas, de Maria Candida Moraes, pude relembrar alguns acontecimentos e datas que marcaram este começo, que diga-se de passagem ,ocorreu a muitos e muitos anos atrás...
Era preciso reportar-se para 1971.
“Nessa época, o Brasil iniciava seus primeiros passos em busca de um caminho próprio para a informatização de sua sociedade, fundamentado na crença de que tecnologia não se compra, mas é criada e construída por pessoas. Buscava-se construir uma base que garantisse uma real capacitação nacional nas atividades de informática, em benefício do desenvolvimento social, político, tecnológico e econômico da sociedade brasileira. Uma capacitação que garantisse autonomia tecnológica, tendo como base a preservação da soberania nacional. (...) Naquela época, já havia um consenso no âmbito da SEI/CSN/PR de que a educação seria o setor mais importante (grifo meu) para construção de uma modernidade aceitável e própria, capaz de articular o avanço científico e tecnológico com o patrimônio cultural da sociedade e promover as interações necessárias.
Mas o que vemos hoje é que em muitas escola brasileiras se quer existe um PC. Analisando o sentido do início de uma inclusão tecnológica, e se pensarmos que a utilização de computadores na educação começou por volta dos anos 70, vemos que esta levou trinta anos para começar a chegar a minha escola. Embora os vários programas do governo para levar tecnologias para dentro das escolas, como por exemplo o Proinfo, que desde 2006 vem equipando a rede pública com laboratórios de informática e softwares, esta medida ainda hoje não alcançou a educação infantil. A inclusão tecnológica desta modalidade de ensino, hoje ainda depende exclusivamente da iniciativa e desdobramentos de seus profissionais que buscam através de doações, mobilizações, festividades, a aquisição de computadores tanto para seu uso quanto para o de seus alunos.
Ainda estamos engatinhando no sentido da inclusao digital realamente acontecer !!!!
Texto consultado: http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/material_mec/eixo1/tics_1/texto1_tematica1.html
Escolher um tema único para o TCC não é tarefa fácil...
Vivemos, aprendemos, questinamos, refletimos muito durante o PEAD, e hoje retirar de toda esta história, que foi construída durante todos estes anos, um único assunto é complicado. Mas vamos lá ... Afinal este é o último trabalho que vamos desenvolver ainda como alunas do PEAD.
Confesso que durante o estágio muitas ideias surgiram para o TCC, mas ainda não tenho um tema 100% definido. Porém algo que me fascina é como as novas tecnologias entram dentro da escola e transformam aquele espaço.
Minha escola é exemplo disto, antes de entrar no PEAD não havia a "necessidade" da inclusão tecnológica na parte pedagógica. Hoje o cenário mudou, a escola se abriu e está sempre com inovações tecnologicas, o que a faz diferenciar-se das outras.
Dentro desta perpectiva, penso em analisar como estas tecnologi@as afetaram a escola infantil como instituição, as relações, o fazer pedagógico, enfim, o que ela possibilitou.
Ao iniciar, preliminarmente, a pesquisar bibliográfica sobre tecnologia ligada a educação infantil, pude perceber que a inclusão tecnológica nesta modalidade de ensino, é um tema de certa forma novo em sua abordagem, não há muitos registros e pesquisas sobre o assunto, principalmente no que se refere à instituição propriamente. Isto me motiva ainda mais a buscar levantar evidências das transformações ocorridas neste espaço escolar, oriundas da utilização de tecnologias e da internet em seu cotidiano. Alguns autores como MORAN, LEVY, CORTE REAL, NEVADO, CARVALHO E MENEZES, apresentam diferentes faces do tema educação e tecnologias que poderão servir de aporte teórico para o meu TCC.
Destaco MORAN entre os autores citados, pois este me fez refletir muito sobre qual educação (escola) realmente queremos? E uma de suas ideias diz que:
"(...) a organização escolar precisa ser reinventada para que todos aprendam de modo mais humano, afetivo e ético, integrando os aspectos individual e social, os diversos ritmos, métodos e tecnologias, para ajudarmos a formar cidadãos plenos em todas as dimensões.(http://www.eca.usp.br/prof/moran/)
E é isto, a escola precisa mudar e inovar!!! E é nesta linha que desejo construir o meu TCC !!!

Pensar no seu final, para mim, tem gosto de saudades... Sim, porque ao terminá-lo deixei para trás uma convivência amorosa, onde estreitos laços afetivos foram construídos.
Por certo aquelas crianças não sabem o quanto foram importantes em minha trajetória, em minha formação, agora quase uma pedagoga. Elas foram responsáveis por muitas aprendizagens, e por um crescimento profissional que mudou o meu fazer. Conclui este estágio com a plena convicção de que aprendi muito mais do que ensinei! Foram momentos de muitos encantamentos e aprendizagens; onde o prazer de aprender coloriu os caminhos da construção de meus conhecimentos.
Este foi o maior presente que poderia receber!!!!
Obrigada a todos que contribuíram, por mais esta conquista...

Outra vivência de muita emoção que se fez presente na última semana de estágio, foi a sexta-feira.
No início da semana, combinamos o que faríamos todos os dias, e desde então fui preparando as crianças para a minha saída. Neste dia combinamos uma grande festa a fantasia. Queria que fosse um momento para ser lembrado com alegria, tanto para mim quanto para as crianças. Então o planejamento foi todo especial, pois pensei nele com o maior carinho. Queria que fizessem as atividades que mais gostavam, que eram: brincar, fantasia-se, pintar-se (maquiagem e tatuagem), comer (nega maluca, negrinho, bolacha recheada e salgadinhos, claro que regada a muito chá de cidreira) e brincar na área coberta. Queria que fosse só alegria. Mas é claro, não foi possível conter a triste de ter chegado ao fim uma convivência que foi muito intensa e prazerosa. No final do dia fizemos uma avaliação, coletiva, deste período, e vimos o quanto foi bom ter compartilhado aqueles momentos juntos... Pois vivemos, nestes dois meses, muitos momentos de alegria, de brincadeira, de troca, de discussão, de aprendizagens... Que constituíram doces laços afetivos e que logicamente irão deixar saudades.
E nesta relação entre sujeitos é que Maturana (1998), vem nos falar, dos tipos de relações sociais que estabelecemos em nossa convivências, e que depende das diferentes emoções envolvidas, ou seja,
“(...) na medida em que diferentes emoções constituem domínios de ações distintas, haverá diferentes tipos de relações humanas dependendo da emoção que as sustente, e será necessário observar as emoções para distinguir os diferentes tipos de relações humanas, já que estas as definem”(p: 68).
E foi assim, um dia marcado pela emoção, carinho e surpresa, pois as crianças sabem como ninguém, demonstrar e retribuir todo seu amor por aqueles que as amam.

A última semana de estágio girou por volta do “filme” que chamamoshttp://www.blogger.com/ de: “A floresta em movimento”, e das emoções geradas por ele e pelo final do estágio.
Foram realizados ensaios e todos estavam ansiosos para que chegasse o grande dia. O dia da filmagem, que a meu ver seria especial, perfeito.
Mas diferente do que pensava, um dos momentos mais lindos da semana se deu no decorrer do ensaio final da representação, e não na gravação propriamente. As crianças dispostas em suas posições, foi colocada uma música de som de pássaros e instrumental, que emanava o som da natureza. Esta serviu para coloca-los “dentro” da mata, ou seja, verdadeiramente vestir seus personagens. A partir dos primeiros acordes da música, algo mudou nas crianças. Elas se centraram, e a cena fluiu, com a naturalidade de quem estava afinado com a cena. Algumas pessoas estavam assistindo ao ensaio, e percebia-se a emoção nos presentes (tanto dos adultos, quanto das crianças). Tudo estava lindo! Percebi o quanto as vezes subestimamos os sentimentos e a sensibilidade das crianças. Elas foram visivelmente tocadas por aquela música, e não foi preciso dirigir a cena, elas mesmas compreenderam o tempo e o espaço a ser vivenciado.
Nogueira (2004), nos aponta a importância da música no desenvolvimento da crianças, quando diz que a música:
“(...) possibilita uma diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem. Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem, e a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos); baixando a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978)”.
http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/infancia/G_musica.html
Não havia me dado conta disto, da música como instrumento de favorecimento da aprendizagem, mas pude perceber o quando a música exerce um poder nas pessoas. Então porque não usar a nosso favor?
Além é claro de irmos refinando o gosto musical de nossos alunos!!!
Esta semana, inclui em meu planejamento uma hora do conto: “Bom dia todas as cores”, utilizando para tanto uma tecnologia desconhecida para meus alunos. O data show, e um pen drive.
A aula teve um tom especial por conta da novidade. Foram muitas perguntas, curiosidades e encantamentos. Depois de conhecerem as funcionalidades deste instrumentos e explorar as inúmeras possibilidades de criação de imagens, utilizando a luz e a sombra das mãos, passei a contar a história num ppt. Tudo era mágico, pois estavam quase que “dentro” da história, e isto fez com que o imaginário das crianças fosse tocado. Ao entrar na história passaram a imaginar outras possibilidades de acontecimentos, e outras possibilidades de resoluções de problemas. Como por exemplo, o camaleão usar uma cor a cada dia, ou ainda, ficar com várias cores ao mesmo tempo, entre outras. Ao utilizar esta história tinha a intenção de mostrar as crianças a necessidade de sermos fieis a nossa vontade e opinião, e que esta deve ser respeitada por nossos amigos, uma vez que como a própria história diz: “não podemos agradar aos outros se não agradarmos a nós mesmos”. E o uso da tecnologia serviu não apenas de recurso, mas FONTE DE CONHECIMENTO E INCLUSÃO.
De acordo com Moran, existe um longo caminho que a educação brasileira tem e deve trilhar, pois uma educação de qualidade deve integrar as diferentes dimensões humanas e não apenas a dimensão da informação, e vai além, quando diz que a educação escolar deve compreender e incorporar mais as novas linguagens, e para isto deve educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias que facilitem a evolução dos sujeitos.
“A sociedade precisa ter como projeto político a procura de formas de diminuir a distância que separa os que podem e os que não podem pagar pelo acesso a informação. As escolas públicas e as comunidades carentes precisam ter este acesso garantido para não ficarem condenadas a segregação definitiva, ao analfabetismo tecnológico, ao ensino de quinta classe”. (Moran, 2007: 51)
Assim, entendo que a renovação e o uso das tecnologias na escola se fazem urgente, pois é preciso que a escola se modernize e passe a refletir dentro do espaço escolar a realidade de seu tempo. Democratizar o acesso a novas tecnologias passa a fazer parte de seu objetivo, pois enquanto formadora, precisa estar conectada a seu tempo, ao mundo e as novas tendências. A Escola precisa e deve se transformar em um pólo cultural, social e tecnológico, para que de fato venha a ser um espaço de constituição de cidadania, justiça e equidade social.