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PENSANDO NO TCC

Escolher um tema único para o TCC não é tarefa fácil...

Vivemos, aprendemos, questinamos, refletimos muito durante o PEAD, e hoje retirar de toda esta história, que foi construída durante todos estes anos, um único assunto é complicado. Mas vamos lá ... Afinal este é o último trabalho que vamos desenvolver ainda como alunas do PEAD.

Confesso que durante o estágio muitas ideias surgiram para o TCC, mas ainda não tenho um tema 100% definido. Porém algo que me fascina é como as novas tecnologias entram dentro da escola e transformam aquele espaço.
Minha escola é exemplo disto, antes de entrar no PEAD não havia a "necessidade" da inclusão tecnológica na parte pedagógica. Hoje o cenário mudou, a escola se abriu e está sempre com inovações tecnologicas, o que a faz diferenciar-se das outras.
Dentro desta perpectiva, penso em analisar como estas tecnologi@as afetaram a escola infantil como instituição, as relações, o fazer pedagógico, enfim, o que ela possibilitou.

Ao iniciar, preliminarmente, a pesquisar bibliográfica sobre tecnologia ligada a educação infantil, pude perceber que a inclusão tecnológica nesta modalidade de ensino, é um tema de certa forma novo em sua abordagem, não há muitos registros e pesquisas sobre o assunto, principalmente no que se refere à instituição propriamente. Isto me motiva ainda mais a buscar levantar evidências das transformações ocorridas neste espaço escolar, oriundas da utilização de tecnologias e da internet em seu cotidiano. Alguns autores como MORAN, LEVY, CORTE REAL, NEVADO, CARVALHO E MENEZES, apresentam diferentes faces do tema educação e tecnologias que poderão servir de aporte teórico para o meu TCC.

Destaco MORAN entre os autores citados, pois este me fez refletir muito sobre qual educação (escola) realmente queremos? E uma de suas ideias diz que:
"(...) a organização escolar precisa ser reinventada para que todos aprendam de modo mais humano, afetivo e ético, integrando os aspectos individual e social, os diversos ritmos, métodos e tecnologias, para ajudarmos a formar cidadãos plenos em todas as dimensões.(http://www.eca.usp.br/prof/moran/)

E é isto, a escola precisa mudar e inovar!!! E é nesta linha que desejo construir o meu TCC !!!

O PRESENTE



Pensar no seu final, para mim, tem gosto de saudades... Sim, porque ao terminá-lo deixei para trás uma convivência amorosa, onde estreitos laços afetivos foram construídos.
Por certo aquelas crianças não sabem o quanto foram importantes em minha trajetória, em minha formação, agora quase uma pedagoga. Elas foram responsáveis por muitas aprendizagens, e por um crescimento profissional que mudou o meu fazer. Conclui este estágio com a plena convicção de que aprendi muito mais do que ensinei! Foram momentos de muitos encantamentos e aprendizagens; onde o prazer de aprender coloriu os caminhos da construção de meus conhecimentos.

Este foi o maior presente que poderia receber!!!!

Obrigada a todos que contribuíram, por mais esta conquista...

RELAÇÃO AMOROSA


Outra vivência de muita emoção que se fez presente na última semana de estágio, foi a sexta-feira.

No início da semana, combinamos o que faríamos todos os dias, e desde então fui preparando as crianças para a minha saída. Neste dia combinamos uma grande festa a fantasia. Queria que fosse um momento para ser lembrado com alegria, tanto para mim quanto para as crianças. Então o planejamento foi todo especial, pois pensei nele com o maior carinho. Queria que fizessem as atividades que mais gostavam, que eram: brincar, fantasia-se, pintar-se (maquiagem e tatuagem), comer (nega maluca, negrinho, bolacha recheada e salgadinhos, claro que regada a muito chá de cidreira) e brincar na área coberta. Queria que fosse só alegria. Mas é claro, não foi possível conter a triste de ter chegado ao fim uma convivência que foi muito intensa e prazerosa. No final do dia fizemos uma avaliação, coletiva, deste período, e vimos o quanto foi bom ter compartilhado aqueles momentos juntos... Pois vivemos, nestes dois meses, muitos momentos de alegria, de brincadeira, de troca, de discussão, de aprendizagens... Que constituíram doces laços afetivos e que logicamente irão deixar saudades.

E nesta relação entre sujeitos é que Maturana (1998), vem nos falar, dos tipos de relações sociais que estabelecemos em nossa convivências, e que depende das diferentes emoções envolvidas, ou seja,

“(...) na medida em que diferentes emoções constituem domínios de ações distintas, haverá diferentes tipos de relações humanas dependendo da emoção que as sustente, e será necessário observar as emoções para distinguir os diferentes tipos de relações humanas, já que estas as definem”(p: 68).

E foi assim, um dia marcado pela emoção, carinho e surpresa, pois as crianças sabem como ninguém, demonstrar e retribuir todo seu amor por aqueles que as amam.

A MÚSICA


A última semana de estágio girou por volta do “filme” que chamamoshttp://www.blogger.com/ de: “A floresta em movimento”, e das emoções geradas por ele e pelo final do estágio.

Foram realizados ensaios e todos estavam ansiosos para que chegasse o grande dia. O dia da filmagem, que a meu ver seria especial, perfeito.

Mas diferente do que pensava, um dos momentos mais lindos da semana se deu no decorrer do ensaio final da representação, e não na gravação propriamente. As crianças dispostas em suas posições, foi colocada uma música de som de pássaros e instrumental, que emanava o som da natureza. Esta serviu para coloca-los “dentro” da mata, ou seja, verdadeiramente vestir seus personagens. A partir dos primeiros acordes da música, algo mudou nas crianças. Elas se centraram, e a cena fluiu, com a naturalidade de quem estava afinado com a cena. Algumas pessoas estavam assistindo ao ensaio, e percebia-se a emoção nos presentes (tanto dos adultos, quanto das crianças). Tudo estava lindo! Percebi o quanto as vezes subestimamos os sentimentos e a sensibilidade das crianças. Elas foram visivelmente tocadas por aquela música, e não foi preciso dirigir a cena, elas mesmas compreenderam o tempo e o espaço a ser vivenciado.

Nogueira (2004), nos aponta a importância da música no desenvolvimento da crianças, quando diz que a música:

“(...) possibilita uma diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem. Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem, e a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos); baixando a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978)”.
http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/infancia/G_musica.html

Não havia me dado conta disto, da música como instrumento de favorecimento da aprendizagem, mas pude perceber o quando a música exerce um poder nas pessoas. Então porque não usar a nosso favor?
Além é claro de irmos refinando o gosto musical de nossos alunos!!!

INCLUSÃO TECNOLÓGICA EM QUESTÃO


Esta semana, inclui em meu planejamento uma hora do conto: “Bom dia todas as cores”, utilizando para tanto uma tecnologia desconhecida para meus alunos. O data show, e um pen drive.

A aula teve um tom especial por conta da novidade. Foram muitas perguntas, curiosidades e encantamentos. Depois de conhecerem as funcionalidades deste instrumentos e explorar as inúmeras possibilidades de criação de imagens, utilizando a luz e a sombra das mãos, passei a contar a história num ppt. Tudo era mágico, pois estavam quase que “dentro” da história, e isto fez com que o imaginário das crianças fosse tocado. Ao entrar na história passaram a imaginar outras possibilidades de acontecimentos, e outras possibilidades de resoluções de problemas. Como por exemplo, o camaleão usar uma cor a cada dia, ou ainda, ficar com várias cores ao mesmo tempo, entre outras. Ao utilizar esta história tinha a intenção de mostrar as crianças a necessidade de sermos fieis a nossa vontade e opinião, e que esta deve ser respeitada por nossos amigos, uma vez que como a própria história diz: “não podemos agradar aos outros se não agradarmos a nós mesmos”. E o uso da tecnologia serviu não apenas de recurso, mas FONTE DE CONHECIMENTO E INCLUSÃO.

De acordo com Moran, existe um longo caminho que a educação brasileira tem e deve trilhar, pois uma educação de qualidade deve integrar as diferentes dimensões humanas e não apenas a dimensão da informação, e vai além, quando diz que a educação escolar deve compreender e incorporar mais as novas linguagens, e para isto deve educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias que facilitem a evolução dos sujeitos.

“A sociedade precisa ter como projeto político a procura de formas de diminuir a distância que separa os que podem e os que não podem pagar pelo acesso a informação. As escolas públicas e as comunidades carentes precisam ter este acesso garantido para não ficarem condenadas a segregação definitiva, ao analfabetismo tecnológico, ao ensino de quinta classe”. (Moran, 2007: 51)

Assim, entendo que a renovação e o uso das tecnologias na escola se fazem urgente, pois é preciso que a escola se modernize e passe a refletir dentro do espaço escolar a realidade de seu tempo. Democratizar o acesso a novas tecnologias passa a fazer parte de seu objetivo, pois enquanto formadora, precisa estar conectada a seu tempo, ao mundo e as novas tendências. A Escola precisa e deve se transformar em um pólo cultural, social e tecnológico, para que de fato venha a ser um espaço de constituição de cidadania, justiça e equidade social.

TER VEZ E VOZ...


Tenho refletido em meu estágio sobre as várias facetas de nossa rotina em sala de aula. Então tenho percebido que os momentos de conversa com as crianças na rodinha se estendeu por um longo tempo, uma vez que as crianças estão mais interessadas e participativas. Então tenho optado em dar espaço as suas colocações.

Vejo que este momento de interação, de diálogo e escuta das crianças, tem se mostrado um rico espaço de trocas e aprendizagens. Encontramos nas palavras de Cuberes (2002: 67) o sentido desta premissa, quando diz:

“As crianças precisam de oportunidades para escolher os materiais ou os caminhos para fazer novas descobertas (...) É importante, então, o acompanhamento, a observação e a escuta do que as crianças fazem, dizem, pensam, seja para estimulá-las, para reorientá-las ou para prever situações de aprendizagens novas e mais complexas”.

Esta postura que venho desenvolvendo de escuta e de instigadora vem modificando o clima de nossa sala de aula. Pois durante as atividades realizadas em nossa rotina, tenho notado uma significativa “agitação no ar”. As crianças estão mais falantes, mais interativas, participativas, mas ao mesmo tempo mais ruidosas. Minhas turmas sempre apresentam esta característica. Muito falantes!!! E penso que esteja aqui meu conflito profissional. Deixar falar? Tolher suas colocações para evitar o barulho? Instituir momentos de conversas? ...

Temos muitas estratégias para manter os alunos calados, mas para que serve este silêncio? Como conhecê-los sem deixar que se expressem? Este é sem dúvida um dilema que enfrento quando estou em sala de aula. Qual é o limiar entre a liberdade de expressão e participação e o limite para não gerar a desorganização?

Percebo que os alunos trazem muitas características de seu educador. Pois a forma com que lido com eles, a maneira com que promovo questões para pensarem e se colocarem, as interações, as atividades, vão dando o tom a turma da maneira como eles vão transitar e interagir neste espaço. São mensagens que defino como “subliminares”, que vão sendo construídas a partir do ambiente da sala de aula, das proposições que fazemos com as crianças, dos fazeres, enfim, do todo que compõe as relações e o espaço pedagógico.

Oliveira (1999: 66) nos fala que:

“O ambiente da creche deve ser rico de experiências para a exploração ativa, compartilhadas por crianças e adultos, onde as relações sociais estabelecem o diálogo como forma de construção de conhecimento”. E a autora vai além, quando afirma que o pensamento da criança vai paulatinamente tornando-se mais complexo, na medida em que a criança estabelece interações com o meio em que está inserida, e com isto vai ampliando seus recursos de linguagem e de coordenação de suas ações com as de seus parceiros.

Portanto, quando em nosso planejamento fomentamos atitudes de participação, vemos que nossa sala de aula se transforma. Ela fica cheia de idéias, criatividade e vai se construindo um espaço coletivo de troca, de parceria, de autonomia, e de muitos ruídos, é claro. Sim, ruídos que denota um estar ativo, estar atuante. Mas como lidar com estes ruídos? Como colocar limites sem impingir a participação?

Lenice Frazatto (et ali Rossetti, 1998: 94) nos coloca que é necessário trabalhar a questão da disciplina com crianças em idade pré escolar, mas que é preciso que tenhamos consciência de sua idade e de suas capacidades, e com isto, repensar a forma de organizar nossas atividades para que as crianças tenham maior participação e mais atenção. E acrescenta: “Trabalhar regras é mais importante do que ter uma classe quietinha”.

Com isto, penso que é preciso adequar o planejamento das atividades e ir paulatinamente construindo coletivamente regras de boa convivência, mostrando a criança, formas de ordenar este espaço coletivo para que todos possam se colocar e ser respeitado em suas idéias, em sua vez de falar. Este aprendizado não acontece de pronto, e em alguns casos leva muitas vezes uma vida inteira, e vai exigir do adulto (educador/pais, outros), constância e muita paciência, até que haja a internalização da regra. Esta aprendizagem, tão importante, certamente irá contribuir para a formação de um sujeito capaz de respeitar o outro, e de estabelecer relações saudáveis de convivência social e cidadã.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Cuberes, Maria Teresa Gonzáles (1997). Entre as fraudas e as letras: contribuições à educação infantil, porto Alegre: Artmed, 67.

Frazatto, Lenice, “Pensando a disciplina”, in Rossetti-Ferreira, Maria Clotilde, orgs. (1998), “Os Fazeres na educação infantil”, São Paulo: Cortez, 168.


Oliveira, Zilma de Moraes. et al, Creches: Crianças faz de conta & Cia (1999), Petrópolis: Vozes, 66.

BRINCAR... É COISA SÉRIA!

Analisando o dia –a -dia de sala de aula, percebe-se que um dos momentos importantes e significativas de nossa rotina, se constitui dos espaços das brincadeiras livres, onde as crianças vão chegando a sala de aula e pegando os jogos ou brinquedos do armário, escolhendo conforme seus interesses e desejos.
Entendo estes como momentos riquíssimos de desenvolvimento da criança como ser social e individual. Nestas situações de brinquedo, vejo que elas expressam seus sentimentos, medos, e fantasias acerca de suas vivências e de sua visão de mundo. Ao observar as crianças brincando podemos ver claramente o que experimentam em suas vidas. Como por exemplo quando uma das crianças em sua brincadeira com uma colega, monta uma casinha com as cadeiras e passa a relatar sobre seu “marido”, o assunto tratava de beijos na boca, de abraços, e filho. Soube que está vivenciando em casa uma situação nova. Sua irmã mais velha (17 anos) que cuidava dos irmãos, está grávida e vivendo com o namorado. Vejo que o brincar além de construir conhecimento, ajuda na elaboração de conflitos e situações mal resolvidas. Outra perspectiva do brincar é sobre a questão social. Quando brinca com o outro, a criança está estabelecendo uma relação de colaboração, de troca. Durante a brincadeira livre, meus alunos costumam escolher jogos, e durante estes momentos, inicialmente via as crianças brincando individualmente, com quebra-cabeças, jogos de encaixe, blocos lógicos, alfabeto, entre outros. Mesmo que pedissem ajuda para o colega, este não interagia. Hoje percebo uma certa mudança, algumas crianças já conseguem dividir os materiais (legos) para construírem carros e foguetes, e posteriormente brincarem juntos. As meninas, quando pegam brinquedos, vão logo brincar de casinha em duplas ou em trios, dividindo batons, e bonecas. Mas ainda nos jogos, só dividem o material com os colegas, mas não estabelecem uma parceria de cooperação no jogo propriamente.
Assim, durante o ato de brincar a criança desenvolve, dentre vários aspectos, a criatividade, o pensamento, a afetividade e seu mundo social. Como diz Lima (2001: 25) “ Muitas das descobertas sobre o mundo que a cerca, a criança faz enquanto brinca. Sozinha, com um amigo ou um vizinho, com outras crianças em grupo pequenos ou mais numerosos, brincar é para a criança a possibilidade de ampliar suas experiências”.